Hone
stamente? Li muita coisa que eu já sabia. A matéria com o Fernando Meirelles é previsível, Rodrigo Hilbert (capa da edição) fez um ensaio insosso e sua mulher, Fernanda Lima, também participa da revista, numa sessão de fotos chata e conservadora. É uma revista para homens heteros e não para mulheres ou gays! E a diagramação? Confusa e quadrada (bem quadrada, eu diria).A dicas de moda são dispensáveis e de gosto duvidoso. Fora que o leitor heterossexual, seu público-alvo, ficaria completamente perdido. Vou dar um exemplo. A revista fez uma matéria com a modelo Emanuela de Paula, a nova baby angel da Victoria’s Secret. Ok, no olho da reportagem o jornalista explica o que é Victoria’s Secret. Agora, nos parágrafos seguintes, nomes da moda são vomitados que até paro pra pensar: “Será que estou lendo a Vogue?”. Anna Wintour, Patrick Dermachelier, Diane Von Furstenberg e tantas outras personalidades da moda são citadas e pouco explicadas. Não estou chamando o leitor de burro, mas que homem hetero conhece todos essas referências do mundo fashion? Pouquíssimos. Falta a Homem Vogue situar melhor o seu consumidor, porque serão poucos os que vão pesquisar sobre o que não sabem. Pior: se o jornalista não os contextualiza, simplesmente deixam de ler a matéria, comprometendo a publicação.
Uma semana depois, comprei outra revista, desta vez americana. A Details saltou aos olhos na banca, principalmente quando li as chamadas na capa. “Você se casaria com uma porn star? Conhe
ça caras que casaram”, “A melhor comida de rua do país”, “Você está mentindo sua idade?”. Muito mais interessantes, não? E inusitadas, fugindo do lugar-comum, das fotos de mulheres gostosas e afins. Uma revista para um homem curioso e esclarecido, sem preconceitos. Os editoriais são bem-feitos e podem ser aplicados no vestuário cotidiano, as dicas de moda são relevantes e práticas, a diagramação é dinâmica e a matéria de capa (com o ator Shia LaBeouf) é leve, apesar de não fugir muito da abordagem que a gente costuma ler nas revistas brasucas.Adorei as seguintes reportagens: caras casados com atrizes pornôs, os motivos que levam um homem a mentir sua idade e homens que achavam que eram gays e depois se descobriram heterossexuais. Bem instigantes e com respostas surpreendentes. Ah, fora a cobertura que a revista fez do maior concurso de beleza masculina, uma espécie de Mister Universo. Perfis, dossiê de um crime e uma discussão entre estilistas sobre a moda masculina nos Estados Unidos completam a publicação, mostrando sua heterogeneidade. Só me assustei com o nacionalismo dos jornalistas. Tudo gira em torno da terra do Tio Sam, tudo mesmo! Mesmo assim, valeu gastar o preço salgado (R$ 22,90).
Teria como comparar essas publicações? Fica complicado. Buscam o mesmo público, mas com propostas diferentes. Uma pena que a Homem Vogue, na sua 20ª edição e reformulada, ainda não tenha montado uma personalidade, ao contrário da Details, que apesar de ainda estar engatinhando (essa foi a 9ª edição), já mostra um perfil definido e interessante.
Fotos: Reprodução

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